análise: Heavenly Sword

26 10 2007
“A deusa da guerra mostra o que sabe fazer”
por Gabriel Morato
valeu ai Gabriel pela análise !!


O PlayStation 3 precisa desesperadamente de um God of War – um jogo de ação de qualidade capaz de entreter os jogadores hardcore. Estes compraram o console no seu lançamento e ainda esperam uma justificativa por ter pago pelo aparelho mais caro dessa geração. Heavenly Sword parece ser exatamente isso… mas talvez até demais.

O título de estréia da Ninja Theory (formada por ex-membros da Just Add Monsters, responsável por Kung Fu Chaos) foi um dos primeiros jogos da atual geração a ser anunciado em meados de 2003. Muita coisa mudou desde então, incluindo a estréia de Kratos no que viria a se tornar um dos games essenciais do PlayStation 2. Mas a semelhança entre os dois é impressiona – aliás, a abertura de Heavenly Sword é curiosamente parecida, da estrutura de flashback até o close do rosto da protagonista ao lado das opções. Isso certamente levantará muitas expectativas, e através de uma mistura de jogabilidade variada e narrativa cativante, poucos ficarão decepcionados.

Heavenly Sword conta a história de Nariko, filha do líder de um clã responsável por guardar a lâmina titular. Apesar de dar grande poder ao seu dono, ela também consome sua vida – algo que a fez carregar desastre por onde passou. Mas todo esse potencial atraiu a atenção do rei Bohan, que vê na espada sua chance de dominação global. Nariko deve não apenas enfrentar exércitos inteiros para impedir que a Heavenly Sword caia nas mãos erradas, mas também lutar contra o tabu de ter arruinado uma antiga profecia.

A jornada é composta de capítulos divididos em pequenas fases, cada uma levando alguns poucos minutos para serem completados. Usando um elaborado sistema de combate, jogadores precisam dominar as diferentes habilidades da espada sagrada para garantir sua sobrevivência. Ao contrário de God of War, existem muitas nuances nesse estilo de combate, em grande parte devido às três variações de ataque – longa distância, normal e forte. O game emprega dois botões para ataques (que permitem uma série de combos) e dois outros para acionar as posições diferenciadas. As defesas acontecem automaticamente, contanto que você esteja usando a mesma posição do inimigo e não esteja atacando.

Apesar de relativamente simples em sua execução, o sistema de batalha não é dos mais fáceis, em grande parte pela ausência de defesa ativa e a necessidade de lidar com dezenas de inimigos ao mesmo tempo. Ao contrário de outros games, aqui eles não fazem fila, atacando todos ao mesmo tempo. Além disso, muitos dos oponentes são especialmente hábeis em se defender dos seus ataques, causando alguma frustração. Com isso, a aventura pode não ser tão acessível ou recompensadora quanto God of War – mas nem por isso não é divertida. Em contrapartida, Heavenly Sword faz um excelente trabalho em manter a variedade altíssima, com muitas pequenas variações nos desafios – inclusive controlar Kai, uma colega arqueira de Nariko que muitas vezes rouba a cena. Alguns desses passatempos alternativos podem ser frustrantes (como os quebra-cabeças de arremessar chapéus em sinos direcionando-os com o sensor de movimento do SIXAXIS), mas o resultado final certamente é bem positivo.

O que mais impressionará é o nível geral da produção: as cenas não-interativas que carregam a narrativa são simplesmente deslumbrantes, com excelente atuação e dublagem. Alguns truques, como dividir a tela para mostrar uma seqüência interativa ao lado de algo separado como no seriado 24 Horas é uma das sacadas mais bem aproveitadas. E com excelente atuação nas expressões faciais e corporais aliadas a personagens muito interessantes, mesmo que você não curta tanto o combate, certamente vai querer chegar ao fim só para ver como os eventos vão se desenrolar.

Infelizmente, essa ansiedade tem um efeito colateral ruim: a aventura é relativamente curta, podendo ser terminada em pouco menos de seis horas. O único incentivo para rejogar é tentar fazer combos mais longos para conseguir Glifos, o item colecionável que libera os extras – o que provavelmente não vai fazer muitos jogarem tudo novamente.

De resto, o game apresenta alguns pequenos defeitos que não são terríveis, mas prejudicam o efeito final: a taxa de quadros é bastante instável, e na última luta caí visivelmente. Além disso, mesmo com uma instalação obrigatória de 2GB no disco rígido, Heavenly Sword ainda tem telas de carga de dados extremamente longas entre capítulos (que felizmente são disfarçadas muito bem entre fases).

Não vai ser fácil ignorar tantas coincidências entre o semideus grego e a heroína oriental, mas Heavenly Sword definitivamente consegue andar com suas próprias pernas. A equipe britânica conseguiu colocar uma dose de carisma, humor e drama que dão um ar épico à aventura – e com a falta de títulos de peso no PlayStation 3, os donos do console vão apreciar o que deve ser a primeira parte de uma importante trilogia para o console.


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